Unidade na Igreja é fortalecida, lembram-se os membros após
enchentes no México
Carolina Hernandez Cruz não freqüenta mais a escola. Ela sofre de tensão
pós-traumática por perder seu pai e duas irmãs num deslizamento de terra durante
as enchentes do ano passado no sul do México, um dos piores desastres na
história daquela nação.
A jovem, de 17 anos, lembra-se de como desejava
ser uma advogada quando crescia ali. Agora passa seus dias servindo como
cozinheira para residentes sobreviventes de sua aldeia que vivem em acampamentos
de abrigos de madeira providos pelo governo. Ela fica sem ação quando lhe
dirigem perguntas simples, tais como "o que você gosta de fazer?", ou "quais são
os seus passatempos?"
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Foi triste e difícil ao mesmo tempo. Eu não pude participar de todos os funerais. Alguns foram realizados
simultaneamente.
Atanacio Ramirez Ramirez, pastor |
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"Eu já vi isto antes", declara o seu pastor,
Atanacio Ramirez Ramirez, de 36 anos, falando mediante um tradutor. "As pessoas
podem perder por um tempo interesse em seu próprio
desenvolvimento".
Ramirez sofreu suas próprias dificuldades ministrando
após o desastre ter destruído quatro e suas 15 igrejas e causado a morte de 14
de seus quase 200 membros.
"Foi triste e difícil ao mesmo tempo", lembra
Ramirez. "Eu não pude participar de todos os funerais. Alguns foram realizados
simultaneamente".
A despeito da dor e perda, os dirigentes adventistas do
sétimo dia aqui e em regiões vizinhas dizem que um fato curioso tem-se passado
nos seis meses decorrentes: a freqüência, donativos e compromisso espiritual têm
aumentado, refletindo o espírito de generosidade então visto por toda a nação. A
"oferta de gratidão" desse distrito cresceu 16 por cento em comparação com o do
período anterior.
"Isso é algo que não podemos explicar", diz Felipe
Dominguez, diretor de comunicação para a Igreja no estado sulista de Tabasco,
que experimentou generosidade semelhante. "Como pessoas sem emprego são ainda
capazes de ser tão generosas?"
Conquanto algumas comunidades menores, que
foram afetadas, tendo perdido tudo, estejam ainda sofrendo, outras se
recuperaram ou estão em reconstrução. E em meio a tudo isso, oficiais da Igreja
não podem deixar de notar que a aprovação para uma universidade adventista em
Villahermosa agora segue mais rápido, cinco anos após as necessárias petições
terem sido submetidas. O envolvimento comunitário durante o desastre ajudou a
denominação a obter tal escola no Estado, dizem os dirigentes da Igreja
ali.
"A Igreja aqui em Tabasco tem uma história de ajudar pessoas na
comunidade", declara Hebar Garcia, presidente regional da denominação.
"Investimos numa clínica móvel e pudemos ajudar durante essa época", ele diz,
reconhecendo a ajuda das regiões administrativas da Igreja das proximidades e do
exterior.
Juntamente com muitas organizações nacionais, a Igreja
Adventista recebeu reconhecimento especial por seus esforços de socorro, o que
incluiu abrigos e clínicas móveis bem administradas com médicos voluntários,
muitos sendo estudantes de medicina da Universidade de Montemorelos no norte do
México.
Numa recente tarde em Villahermosa, alguns moradores locais se
apressam em assinalar as marcas de limite de água de quando 80 por cento do
Estado de Tabasco ficou submerso, em algumas áreas por até um mês. Chuvas
intensas em outubro, combinadas com represas cheias, causaram enchentes e
deslizamentos de terra. Sacos de areia empilhados em altura de até 3 m ainda
cobrem centenas de metros de calçadas, bloqueando até abrigos de pontos de
ônibus.
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Isso é algo que não podemos explicar.
Como pessoas sem emprego são ainda
capazes de ser tão generosas?
Felipe
Dominguez, diretor de comunicação da Igreja
em Tabasco |
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Em Juan de Grijalva, o membro da Igreja Teodoro Sanchez Morales
posta-se de pé sobre uma laje de concreto nas proximidades do rio Grijalva,
ainda acima de seu nível normal. "Aqui era a minha casa", diz Morales, que tem
57 anos de idade. O seu pai morreu no deslizamento de terra. Nas proximidades,
trabalhadores em caminhões, tratores e outras máquinas vão removendo os montes
de terra que ainda bloqueiam o rio parcialmente.
As necessidades para
esta comunidade agora são moradia e água, declara Ramirez, o pastor distrital.
"Eles têm água potável, mas tem gosto horrível", comenta ele.
Diz que os
seus membros também desejam obter o sentimento de estarem novamente
estabelecidos. "Querem poder dizer, esta é a minha casa, esta é a minha vida, eu
aqui estou".
Anteriormente naquele dia, enquanto sobre uma colina de onde
se via a cidade destruída, Ramirez apontou a um local no vale abaixo, do outro
lado do rio, a um ponto amarelo que mal se podia ver.
"Aquela era a
igreja", explica ele.
"Como chegou até lá?" pergunta um
visitante.
"Ela ficava situada ali", disse ele apontando para outra
posição rio acima. "Mas foi arrastada pela correnteza quase 100
metros".
Cerca de 30 residentes sobreviventes da cidade se reuniram
naquela manhã na Igreja Adventista de Ostuacan perto, de seu acampamento de
abrigos de madeira, para compartilharem de suas experiências durante a tragédia.
Uma jovem caminhou até o corredor central e estendeu um pedaço de tecido para
uma mulher que soluçava de sofrimento".
"Estou grato por todas as nações
e pela Igreja por sua ajuda", disse Maria Guadalupe Cruz, de 34 anos, mãe de
Carolina, que está sofrendo de tensão pós-traumática. Maria perdeu o seu marido
e duas filhas no desastre.
"Tudo quanto temos com o que viver agora é a
generosidade".
-- Raul Lozano contribuiu para esta
reportagem.

April 25, 2008 Ostuacan, Chiapas, Mexico - Ansel Oliver/ANN
Fonte: Rede Adventista de Notícias
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