Mbwana fala sobre os esforços adventistas para dar fim ao tumulto pós-eleitoral no Quênia

Dirigentes denominacionais instam rivais étnicos a se reconciliarem; 300 adventistas cultuam a Deus num campo de refugiados.

Enquanto o Quênia luta com violência persistente seguindo-se à disputada reeleição do Presidente Mway Kbaki, um dirigente adventista do sétimo dia diz que os mais de 600.000 membros da comunidade adventista têm meios de influenciar os esforços de reconciliação.

Geoffrey Mbwana, dirigente da Igreja Adventista na região da África Centro-Oriental, com sede em Nairobi, recentemente falou com a Rede Adventista de Notícias a respeito da campanha da Igreja no Quênia em recrutar todo pastor adventista e dirigente denominacional para pregar o perdão e o respeito pela vida?tanto do púlpito quanto da mesa de negociações. Somente quando os adventistas se firmarem por valores cristãos acima de lealdades tribais, diz ele, é que a Igreja poderá evitar outra Ruanda.

A despeito de desafios com segurança, Mbwana diz que os adventistas estão assistindo os que foram afetados?membros da Igreja estão organizando cultos sabáticos em campos de refugiados e distribuindo alimentos, roupas e outros suprimentos básicos para os deslocados. Eis trechos da entrevista:

Rede Adventista de Notícias: O atual Ministro da Educação do Quênia, Sam Ongeri, é adventista do sétimo dia, e anteriormente ressaltou que vários juízes e outros indivíduos de destaque no país são também membros da Igreja. Os adventistas têm sido capazes de empregar suas posições públicas para inspirar as opiniões no rumo da reconciliação?

Geoffrey Mbwana: Sim, o Prof. Ongeri esteve entre quatro líderes que foram recentemente designados pelo Pres. Kibaki para representar o seu partido na mesa de negociações com Kofi Annan. Posso lembrar-me muito bem da reunião inicial, que foi televisionada. Annan estava para iniciar a reunião, quando Ongeri polidamente solicitou que se iniciassem as negociações com uma oração. Ele então foi convidado a oferecer uma oração, o que julgamos ter sido uma contribuição muito positiva.

ANN
: Poderia haver um lado sombrio no envolvimento político?o perigo de que as alianças políticas ofusquem as lealdades cristãs?

Mbwana: Temos pessoas de ambos os lados [da disputa política]. Como sabem, são cidadãos do país e participam da vida política nacional. Temos membros do parlamento que são adventistas. O Prof. Ongeri foi designado pelo Pres. Kibaki. Assim, nossos membros são ativos na vida política do país. O que acontece com a população em geral afeta o nosso povo. Esperamos que continuem a entender que a vida é mais importante do que a política e os lados que assumimos. Estamos pedindo ao nosso povo para mostrar a diferença que significa tornar-se um cristão?e um adventista especialmente.

ANN: O que dizer da comunidade adventista mais ampla? Vê a população adventista no Quênia tomando partido neste conflito? Poderia isso resultar numa nova Ruanda, com adventista contra adventista?

Mbwana: No momento não vemos isso ocorrendo. Contudo, se as questões em jogo não forem resolvidas e remediadas, isso terá o potencial de evoluir para uma situação dessa desafortunada magnitude. Mas no tempo presente o que estamos fazendo é dialogar com as congregações. Tivemos várias reuniões com pastores em diferentes lugares, inclusive nas áreas de maior violência. Temos estado pregando fraternidade e reconciliação, amor e respeito pela vida e uns pelos outros, perdão e paz.

ANN: Quantas vítimas fatais a violência causou entre a população adventista no Quênia?

Mbwana: Até o momento não sabemos de qualquer adventista que haja perdido a vida. É um tanto difícil obter tal informação, assim que não descartamos isso completamente. Contudo, em termos de infra-estrutura da Igreja, um abrigo de um vigia noturno [na Universidade da África Oriental, em Baraton] quase foi incendiada, algumas casas de professores fora do campus foram destruídas e uma de nossas escolas quase foi queimada completamente. A violência tem afetado os membros de nossa Igreja ao máximo. Temos muitos que são refugiados agora deslocados em acampamentos. Em Eldoret, na parte ocidental do Quênia, temos quase 300 membros da Igreja cultuando juntos cada sábado num campo de refugiados. E temos muitos, muitos adventistas em outros campos de refugiados, que estamos visitando de tempos em tempos.

ANN: Como consegue convencer adventistas pertencendo a grupos étnicos opostos a se perdoarem em meio a rivalidades étnicas tão profundas?

Mbwana: Basicamente temos que apelar a sua orientação espiritual, porque somos todos do mesmo sangue mediante Cristo. Temos essas diferenças étnicas, mas não são realmente questões básicas?a principal coisa é sermos de uma mesma família. Jesus tem tanto respeito pela vida que deu a Sua própria para que vivêssemos. Agora, em vez de derramar o sangue de alguém, devíamos estar dando apoio às pessoas. Este é o espírito de Jesus Cristo. Estamos apenas tentando conduzi-los para além de seus sentimentos étnicos, não somente acolherem os poderosos valores cristãos da humanidade, mas realmente vivenciá-los nesse nível.

ANN: Ideologicamente isso soa bem. Mas como traduzimos isso em conselho prático e resultados concretos?

Mbwana: Uma das coisas que temos recomendado é que pessoas em diferentes acampamentos e de diferentes grupos étnicos dirijam-se aos do outro lado com atos de bondade, porque temos pessoas em ambos os lados dessa divisão étnica que são afetadas negativamente e precisam de ajuda, no presente momento. Assim, temos incentivado nossas igrejas a alcançarem os outros sem segregação, ministrar a todos os grupos de pessoas e mostrar a todos amor e bondade. Esta mensagem é muito bem recebida. Além disso, algumas igrejas têm prestado serviço voluntário, como serviços de aconselhamento para crianças e para os deslocados. Alguns voluntários de nossas igrejas têm ido cuidar de crianças órfãs em acampamentos e, novamente, todas as nossas igrejas até agora estão ativamente reunindo alimentos e roupas e entregando suprimentos, algumas mediante a ADRA, e alguns diretamente aos acampamentos de refugiados. Não se trata de somente uma ou duas pessoas em ação. Trata-se de um esforço por todo pastor e líder da Igreja pregando reconciliação e lidando com quaisquer problemas que surjam localmente.

ANN: Que tipo de reação esses esforços têm recebido?

Mbwana: Nos lugares onde temos tido estado, as pessoas têm respondido positivamente?estou falando de adventistas, logicamente. Cada vez que lhes tenho falado, eles nos dizem: "Essa é a mensagem de que carecíamos". Em alguns locais remotos e ainda perigosos têm-nos sido dito: "Não sabíamos que viria até aqui arriscando a sua vida por nós". Ficaram tão felizes e muito encorajados ao verem dirigentes e ouvirem a sua mensagem.

ANN: Acredita que essa mensagem está exercendo influência além da esfera da comunidade adventista?

Mbwana: Julgamos que sim. Temos expressado um desejo de encontrar líderes em cada lado da crise política, embora não tenhamos ainda sido capazes de fazê-lo. Cremos que o papel que temos desempenhado, conquanto não tão essencial como gostaríamos que fosse?em grande medida devido a algumas áreas onde não podemos ir prontamente devido à situação de segurança?mas cremos que está exercendo algum impacto positivo e pode contribuir para curar as feridas e operar no rumo da reconciliação. Ontem mesmo fui convidado a falar numa reunião interconfessional, que seria publicamente transmitida por rádio, mas por alguma razão isso foi postergado. Esse seria um evento público do qual alegremente teríamos participado. Dentro da própria Igreja estamos começando a ver pessoas vindo juntas e dizer, "Sim, precisamos amar-nos uns aos outros, precisamos superar essas diferenças".

ANN: Os membros da Igreja por todo o mundo estão preocupados com a situação no Quênia. Haveria algo mais que gostaria que soubessem?

Mbwana
: Preciso dizer que me sinto muito agradecido aos membros da Igreja aqui em Nairobi, por todo o país e internacionalmente, que têm dedicado o seu tempo e energia a pessoas que necessitam de nossos serviços exatamente agora. Nossos jovens têm-se voluntariado junto à ADRA para distribuir alimentos e roupas e certamente esse é o espírito cristão de que precisamos mais. Temos recebido muito apoio de adventistas por todo o mundo em termos de aconselhamento, oração, e até ao estarmos evacuando nossos obreiros da universidade e de nosso hospital, recebemos tremendo apoio da [sede denominacional mundial]. Os líderes têm estado conosco numa base diária.



Fonte:
Rede Adventista de Notícias

Pastor Jan Paulsen. [Photo: ANN Files]
O dirigente da Igreja Adventista na região da África Central, Geoffrey Mbwana, à direita, com o líder adventista queniano Musyoka Paul Muasya e outros pastores regionais cuja mensagem de reconciliação Mbwana espera que influencia não só os membros da Igreja, como também os líderes políticos do país. [foto: Rajmund Dabrowski/ANN]

Untitled Document
Untitled Document





















Untitled Document

ASSOCIAÇÃO PERNAMBUCANA
52040-000 | Estrada de Belém, 885 - Recife, PE | (81) 2125-2400