Diop promove prestação de contas 'saudável' entre os centros de estudo global da Igreja.
Com sua paixão por missão, o teólogo Ganoune Diop está bem
qualificado para supervisionar os cinco centros de estudo global da
IASD, cuja missão é construir pontes com outros grupos religiosos.
Também ajuda o fato de que ele tem facilidade de comunicação em 10
idiomas.
Criado num ambiente multicultural, predominantemente muçulmano, no
Senegal, ele se tornou um flautista profissional e acadêmico. Agora um
supervisor em atividade desde julho, Diop concedeu uma entrevista na
semana passada com respeito aos cinco centros de evangelismo da Igreja,
que fazem parte do Escritório de Missão Adventista: hindu, baseado na
Índia; budista, na Tailândia, muçulmano, em Chipre; judaico, em Israel;
e secular e pós-moderno, na Inglaterra.
Após poucos anos de existência, alguns centros estão ainda buscando
crescer com operações de uma só pessoa, enquanto outros têm vários
membros no corpo de pessoal e produz recursos. Diop discutiu as suas
metas, seu progresso e necessidade por um papel crescente na missão da
Igreja.
O ativo Diop, de 51 anos de idade, tornou-se adventista 30 anos atrás,
enquanto estudava flauta no Conservatório Musical de La Rochelle, na
França. Sua extensa educação inclui um mestrado em filologia, um
doutorado em estudos do Velho Testamento e outro em estudos do Novo
Testamento em andamento. Ele também serve como um agente de ligação
entre os centros e a administração denominacional, inclusive as 13
divisões mundiais e o Instituto de Pesquisa Bíblica. Trechos da
entrevista:
Rede Adventista de Notícias: Por que precisamos de centros de estudo -- Paulo e Silas não os tiveram.
Ganoune Diop: Paulo e Silas não precisavam deles
porque tinham um ministério muito localizado e se comunicavam
abertamente com as pessoas para as quais estavam pregando. Paulo sabia
a respeito dos filósofos gregos. Ele podia conversar utilizando a
linguagem deles e citando os seus poetas. Hoje temos um movimento de
proporção mundial, a Igreja Adventista, assim os centros existem para
equipar a Igreja no desenvolvimento de conscientização e competência
entre os membros da Igreja para alcançar as pessoas em várias regiões
mundiais.
RAN: O que os centros realizam?
Diop: Estão criando métodos, modelos, e equipando a
Igreja a saber como melhor entender a aproximação com outros grupos de
pessoas. Isso nos está ajudando a treinar missionários. Agora, alguns
centros são mais ativos do que outros. Alguns estão [produzindo]
resultados que poderiam ser quantificados. Outros, como o centro
secular e pós-moderno, foi recentemente iniciado e leva mais tempo
porque operam em áreas mais desafiadoras. Scott Griwold está
empreendendo um trabalho fantástico na Tailândia. Estão produzindo um
CD de recursos e o Centro Global para as Relações Adventistas com os
muçulmanos já tem um. A entidade de trabalho com o judaísmo está
criando comunidades em vários países. Esses centros também estão
ajudando vários departamentos da Igreja a produzirem materiais.
Obviamente, não se trata de multiplicar atividades e produzir
materiais. Também tem que ver com o desenvolvimento de visão teológica
apropriada e aplicar perspectivas missiológicas que sejam fiéis à
denominação.
RAN: Contactamos o centro secular e pós-moderno na
Inglaterra, e disseram que estão ainda nos estágios preliminares de
pesquisa. Por quanto tempo esses centros estão abertos?
Diop: A iniciativa começou em 1990, assim alguns
deles têm estado em operação por cerca de 10 anos. O Centro Para
Estudos Seculares e Pós-Modernos é o mais recente. Começou poucos anos
atrás e sua forma atual tem somente um ano de duração.
RAN: O centro hindu disse-nos que estão tendo êxito em promover um estudo indiano de culto. O que vem a ser isso?
Diop: Não significa que adorem em templos hindus. Eu
estive na Índia e eles se sentam sobre o chão, você sabe, e os hinos
não são do mesmo estilo de música ocidental. Eles estão entoando os
seus próprios cânticos segundo suas próprias melodias com palavras que
estão em harmonia com o evangelho cristão. . . . Os centros podem fazer
muito mais; muitos deles estão apenas em estado de infância quanto à
produção de materiais. Estão ainda numa curva de aprendizagem. Alguns
deles estão se saindo muito bem. Este é o meu desafio, ajudá-los a
realmente produzirem os resultados para os quais foram estabelecidos.
RAN: Quais têm sido as deficiências?
Diop: Creio que a Igreja precisa da colaboração de
missiólogos e teólogos para realmente operarem uma compreensão radical
das religiões mundiais e estabelecer ministérios de longo prazo. Não é
suficiente somente ter um "coração missionário". Isso é necessário, mas
também carecemos de empenhar tanto os teólogos quanto os missiólogos
para beneficiar os ministérios em várias áreas não penetradas.
RAN: Imagino, como se dá dentro de algumas estruturas administrativas, que o pessoal é limitado.
Diop: Idealmente, desejaríamos ter os centros
integralmente dedicados a sua missão global porque se os centros
funcionarem para [a administração eclesiástica da divisão local], a
tentação é perder de vista a missão global. Conquanto esses centros
estejam localizados em várias divisões, todos são entidades da
Associação Geral [a sede administrativa mundial], assim são chamadas a
servir à Igreja a nível mundial. Ao perceberem a necessidade global, os
centros serão levados a produzir materiais . . . Mas estão tendo
resultados. Para mim, os resultados podem ser maximizados e podemos
realizar muito mais do que estamos atualmente conseguindo fazer.
RAN: O que vem a seguir?
Diop: Creio que no futuro devemos expandir os centros
e ter um corpo de competência multidisciplinar. Também, identificar
novos canais de atuação. Acabei de retornar do Azerbaijão e seria
maravilhoso equipar aquelas pessoas a ministrarem a países vizinhos.
Isto é algo que estou explorando -- diferentes canais e os grupos de
pessoas não alcançadas. Muitos desses países circunvizinhos são
islâmicos, mas com uma visão secular e comunista. É um tipo diferente
de Islã do que se encontra no Oriente Médio, ou África ou Indonésia.
RAN: Há partes do mundo onde o proselitismo é ilegal. Em que medida podemos promover nossas crenças?
Diop: Bem, deixe-me dizer-lhe que é aí onde entra o
ministério contextualizado -- pessoas nativas são capacitadas a
encontrar meios de viver sua fé em Cristo recém adquirida a despeito
das circunstâncias adversas sob que vivem. Assim, os centros exploram
meios nesse sentido e desenvolvem modelos.
RAN: Como podemos incentivar generosidade entre os
missionários e promover a aceitação das pessoas em vez de a luta com as
pessoas às quais são enviados? Acaso alguns acham que estão numa
batalha sobre quem está certo?
Diop: Não se trata de "nós temos a verdade e é melhor
que nos ouçam". Mas, sem dúvida, penso que um missionário pode ser
confiante de que está sendo enviado para proclamar a verdade de Deus.
Não há arrogância nisso. De fato, toda religião, como sabe, reivindica
que suas crenças são absolutas. Bem, exceto o hinduísmo e as religiões
sincretistas. Contudo, você vai lá, não para bajulá-los ou diminuí-los,
mas para acompanhá-los em sua jornada espiritual rumo à transformação
radical.
RAN: Há algo mais que deseje compartilhar conosco, os leitores ou os diretores dos centros de estudo?
Diop: Eu teria a dizer que a missão pertence a
Deus. Estamos participando do que Deus está realizando. Esses centros
não só equipam, mas desenvolvem conscientização missionária nas pessoas
por treiná-las por todo o mundo. Mas em participarem da missão de Deus,
o ponto básico ainda diz respeito a promover a Jesus Cristo, Sua
dignidade e soberania, Sua compaixão que Ele compartilha com todos os
grupos de pessoas. Assim, desejo incentivar os diretores dos centros de
estudo a cumprirem a missão confiada a seu cuidado em conversação e
parceria com os dirigentes da Igreja. A prestação de contas é salutar e
o único meio de medir a eficiência e superar uma mentalidade sectária.
--dados adicionais por Taashi Rowe

February 4, 2008 Silver Spring, Maryland, United States - Ansel Oliver/ANN
Fonte: Rede Adventista de Notícias